O livro O Cheiro de Deus, de Roberto Drummond, foi a leitura que mais me marcou e eleito o melhor livro que já li na minha vida. Não é só porque o autor é obcecado pelo sobrenome lindo que por acaso também é o meu, mas por que ele é um dos mais lidos, estudados, e comentados autores brasileiros. Além de motivo de inúmeras teses de mestrado e doutorado, enfim um mestre do que se pode dizer "realismo sobrenatural" como ele mesmo dizia .
"Aprendi com Thomas Mann e Ivan Turguenevi que, se você tem uma família, não precisa inventar outra, brinca Drummond. Segundo ele, seu Drummond é mais puro" que o do poeta Carlos Drummond de Andrade, um parente distante, porque há mais casos de casamentos co-sanguíneos em sua família. Coloquei todo o folclore, as lendas e as idéias fixas da família no livro, diz Drummond. "
Muita gente diviniza autores como George R. R. Martin e J.R.R. Tolkien autores de romances fantasiosos, épicos e grandiosos que acabaram virando filmes e série, (com razão e eu também) mas não procuram saber o que temos aqui na nossa literatura. Não estou comparando pois os estilos são diferentes. Hoje em dia, o que leva um livro/autor a ficar muito conhecido é quando fazem uma série, minissérie ou filme da obra. O que não deixa Roberto Drummond muito atrás pois também teve seu romance Hilda Furacão adaptado para uma minissérie da TV. Mattin e Tolkien realmente são "gódises" (god como diria Smeágol, lol) mas acho que devemos dar valor à nossa literatura brasileira. O Cheiro de Deus, livro que levou 11 anos para ser finalizado e 23 versões escritas à mão, é uma trama que gira em torno dos Drummond, uma estranha família do interior de Minas em que os casamentos incestuosos são freqüentes e todos os homens têm nome de uísque, mostrando a fixação dos seus parentes com a linhagem escocesa. Batizados como Old Parr, Red Label, White Horse, Johnnie Walker (meu personagem favorito) Dimple e Buchanan’s e também o “tio” Black Label, casado com Dolores, uma das filhas de Old Parr.
A realidade e fantasia se misturam. Uma paixão inconfessável entre dois inimigos, disputa entre partidos políticos. Personagens fabulares como Catula, a neta linda de Vó Inácia Micaela e do Vô Old Parr, que muda a cor da pele quando chega uma frente fria. Ás vezes ela é branca, outras negra; (de vez em quando eu falo uma frase que a Catula diz em uma passagem: "hoje acordei com uma vontade de dar uma morrida", até o Dodô de vez em quando também fala isso, rs); Júlia Preta e seu canto agourento que prenuncia morte; a mula sem cabeça que enxerga,o lobisomem que é um dos sete filhos do casal, mas que só é revelado no final; o médium que psicografa Dostoievsky e as cinco irmãs que são um pouco anjos, um pouco demônios também. "Entre os Drummond, que dificilmente escapam da febre do incesto, a alegria do sexo pode triunfar sobre as tristezas do mundo — mas a vocação para o sofrer revela uma espécie de prazer."
Resenha Editora Objetiva:
"O autor reinventa sua família para contar a história de uma dinastia inquieta e poderosa que tem como matriarca Inácia Micaela, que aprendeu a fazer amor com o tio e com ele se casou, alimentando a mistura e os arrepios da família. A narrativa de Roberto Drummond conduz o leitor para a saga de uma mulher que busca descobrir o cheiro de Deus. Apurando o olfato para sentir o cheiro de Deus, ela descobriu que a felicidade também cheirava, que também o dia tinha um cheiro próprio, assim como o sábado à noite em Belo Horizonte cheirava a suor dos amantes. Seria este o cheiro de Deus?"
Eu gostei e recomendo!
Roberto Drummond


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